Isso aqui oh oh

No último dia da entrega dos kits, o clima já não era dos melhores. Acabaram as camisetas para cerca de duas mil pessoas. Aquilo acendeu um alerta: se faltou camiseta, o que mais pode faltar?

Largamos no penúltimo pelotão, vermelho, lado par. A prova seguiu com aquela energia que só a São Silvestre tem. Mais de 55 mil corredores oficialmente inscritos, fora os pipocas.

Depois de atravessar o pórtico de chegada, um grande congestionamento humano. Minutos passando, nenhuma orientação clara. Consegui chegar até um staff para entender o que estava acontecendo.

A resposta foi direta: Acabaram as medalhas.

Naquele momento, olhando para o outro lado, percebi que a fila estava andando. Voltamos direto pra lá. Para minha alegria, conseguimos a medalha. Mas muitos não tiveram a mesma sorte. Cerca de três mil pessoas ficaram sem.

Será que estamos preparados para eventos desse tamanho? Não só em estrutura, mas em consciência coletiva.

Existem falhas claras de organização.

Existe também a falta de bom senso de corredores que insistem em participar sem inscrição.

E existe o lado mais feio: staff que furta itens da prova para vender e tirar proveito.

A São Silvestre é gigante. Histórica. Simbólica. Mas essa edição mostrou que crescimento sem o preparo correto cobra seu preço. E infelizmente quem paga tudo isso são os atletas que deveriam receber uma boa experiência.