Qual é a brisa?

Antes de chegar na arena montada para a edição especial da Meia Maratona do Circuito Popular, saindo do metrô Itaquera, Jão resolveu pegar um café e uma porção de pão de queijo — daqueles pequenos que vêm num saco, tipo batata frita.

Enquanto pagava o pedido, uma moça conversava com o rapaz do quiosque. Quando viu nós dois com a camiseta da prova e os números de peito, virou e perguntou:

— Qual a brisa desse negócio de correr?

A gente riu. Ela continuou:

— É que eu não entendo… tô voltando pra casa agora e sempre vejo gente indo correr. Se for legal, acho que vou também. O que ganha?

Eram 5:15 da manhã. Aquilo me fez lembrar das inúmeras vezes que virei a noite fazendo coisas que meu corpo cobrava caro no dia seguinte. Do estresse tentando cobrir gastos exagerados feitos no cartão, no impulso. E de tantas outras consequências de uma época em que eu não cuidava de mim.

Não existe resposta certa.
Cada um corre por um motivo.

O que me veio na hora foi simples e honesto:

— Eu corro pra me salvar.

Ela ficou parada, me olhando, em silêncio. Continuei:

— Foi na corrida que encontrei saúde mental, espiritual e, claro, saúde física.

— Isso é legal — ela respondeu.

Então, o que eu acredito é simples: se você corre, continue.

Se você não corre e está procurando um jeito de cuidar de você, comece com um pequeno movimento hoje mesmo.

Nem que seja uma caminhada.